1º de maio: entidades de classe pedem mobilização da sociedade contra reformas

Protesto realizado na última sexta em todo o Brasil deu fôlego para reação dos trabalhadores, acreditam líderes sindicais.

Prestes a completar 100 anos da primeira greve geral do país, em 1917, a Central Única dos Trabalhadores de Alagoas (CUT) enxerga no contexto atual que o Brasil enfrenta uma “quadra de luto e de nada para se comemorar”.

As entidades de classe que representam os trabalhadores brasileiros apontam o presidente Michel Temer (PMDB) como o ”coveiro de direitos trabalhistas”.

Os sindicalistas se referem aos projetos enviados do Planalto para o Congresso Nacional que versam sobre reformas. Neste 1º de maio de 2017, a CUT diz que não há o que se comemorar, mas, sim, lutar para que o trabalhador não fique sem direitos.

Tradicionalmente ao longo da história, o Dia do Trabalhador sempre foi marcado por atos em defesa dos direitos trabalhistas. Mas, neste ano, a presidente da CUT em Alagoas, Rilda Alves, acredita que a mobilização de todos – independente de bandeira partidária-, é fundamental para que o Planalto e o Congresso Nacional ouçam as vozes que partem das ruas contra as reformas trabalhistas que estão em tramitação no Parlamento. 

“Como entidade de classe, sempre nos manifestamos nessa data tradicional por melhorias para os trabalhadores. No entanto, nunca presenciamos um momento tão ruim, tão crítico e com o futuro próximo tão desesperador contra o trabalhador brasileiro.

A presidência quer acabar com direitos que estão consolidados há décadas pelas leis de nosso país, resultando, inclusive, na aposentadoria tardia do cidadão. Há o que comemorar nesta data? Certamente, não. É preciso reagir. É preciso se mobilizar contra tudo disso. Neste 1º de maio, o trabalho está de luto”, expôs Rilda.

Para demonstrar a importância do momento, Rilda ressalta a greve de 30 dias realizada em junho de 1917, décadas antes da consolidação das leis trabalhistas, por cerca de 400 operários da fábrica têxtil Cotonifício Crespi, na Mooca, em São Paulo.

Eles paralisaram as atividades por semanas. À época do ato histórico, a economia brasileira estava muito bem, com as empresas duplicando suas receitas anualmente em virtude da conjuntura internacional, sobretudo, pela precarização do emprego. 

“A cada dia que se passa no Congresso um direito do trabalhador é sepultado, ameaçado ou extinto. Como exemplo , temos há alguns dias a extinção de cerca de sessenta direitos em votação na Câmara dos Deputados. Ficar em casa é caminho? Não. Precisamos reagir.

O 1º de maio de 2017 vai ficar marcado pela luta e pelo luto. Não vamos aceitar nenhum direito a menos. A população pode comparecer em peso nos atos agendados para mostrar toda a sua indignação com tudo o que está acontecendo”, reforçou.

PROJETOS NO CONGRESSO             

O texto aprovado pela Câmara na quarta prevê ainda que a negociação entre empresas e trabalhadores prevalecerá sobre a lei em pontos como parcelamento das férias, flexibilização da jornada, participação nos lucros e resultados, intervalo, plano de cargos e salários, banco de horas, remuneração por produtividade e trabalho remoto.

A proposta segue para análise no Senado Federal.  Nesta semana, a comissão especial para discutir a proposta da reforma previdenciária apresentar discute o relatório final.